A demografia médica em São Paulo entrou no centro do debate do setor de saúde durante reunião da Câmara de Assuntos de Governança Clínica (CACLIN), da Fesaúde, realizada em 6 de abril de 2026, na sede do Sindhosp/Fesaúde, em São Paulo. O tema ganha relevância em um contexto de expansão da formação médica e de mudanças na força de trabalho em saúde — um movimento que amplia a oferta de profissionais, mas não garante, por si só, melhor distribuição ou acesso à assistência.
O destaque do encontro foi a apresentação do professor Mário Scheffer, da Faculdade de Medicina da USP, pesquisador da área de demografia médica e responsável por um levantamento consolidado de abrangência nacional sobre o tema. Com base em mais de 15 anos de pesquisa, o estudo reúne dados de todo o país e oferece um retrato detalhado das mudanças no perfil dos médicos e de seus efeitos no sistema de saúde.
Os dados ajudam a entender como essas mudanças impactam o funcionamento do sistema de saúde. Há riscos relacionados à qualidade da formação, à segurança do paciente e à sustentabilidade econômica do setor. A expansão desregulada de cursos, somada à fragmentação do trabalho médico e à pressão por produtividade, pode afetar diretamente a governança clínica, a padronização de processos e a consistência do cuidado prestado.
Para o setor hospitalar e de serviços de saúde, os dados apresentados reforçam a importância do planejamento estratégico da força de trabalho, da revisão dos modelos de contratação e do investimento em governança clínica como elementos centrais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças na medicina.
A reunião reafirma o papel da CACLIN como espaço técnico de análise e proposição dentro da Fesaúde, contribuindo para a qualificação da gestão e para a adaptação do sistema de saúde a um cenário em transformação.




