Congresso de Gestão em Clínicas debate sustentabilidade e novos modelos de gestão

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O Congresso de Gestão em Clínicas, que aconteceu no dia 21 de maio, durante a Hospitalar 2026, marcou a retomada de um espaço tradicional de discussão sobre os principais desafios da gestão clínica no país. Promovido pela FESAÚDE, SindHosp e Hospitalar, o encontro reuniu executivos, gestores e especialistas para debater temas que hoje impactam diretamente a operação das clínicas, como sustentabilidade financeira, uso de dados, eficiência operacional, experiência do paciente e reorganização dos modelos assistenciais.

A abertura institucional do evento foi conduzida por Larissa Eloi, diretora-executiva do SindHosp e da FESAÚDE, e por Juliana Vicente, head do portfólio de saúde da Informa Markets, empresa promotora da feira. As duas destacaram o retorno do congresso à programação da Hospitalar e o peso crescente das clínicas dentro do sistema de saúde. “O fortalecimento dessas empresas passa pela construção de modelos mais sustentáveis e preparados para os desafios atuais da saúde”, afirmou Eloi.

Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração do SindHosp e da FESAÚDE, falou sobre o papel das clínicas no sistema de saúde e reforçou a importância do uso estratégico de dados na gestão. “Quem não tiver inteligência sobre os próprios dados vai ter dificuldade de sobreviver em um ambiente cada vez mais pressionado por eficiência”, acredita o dirigente.

O presidente da FESAÚDE na abertura do evento

Debates

A palestra de abertura do Congresso abordou “Clínicas em Alta Performance – Pessoas, Processos e Resultados Sustentáveis” e foi proferida pelo superintendente executivo do Espro, Alessandro Saade. O executivo defendeu modelos de liderança menos centralizadores e ambientes corporativos mais preparados para lidar com conflitos e conversas difíceis.

No painel “Gestão que Gera Valor: Estratégia e Governança na Clínica”, a diretora-executiva da FESAÚDE e do SindHosp, Larissa Eloi, reforçou a importância do uso de dados estruturados na rotina das clínicas e destacou a dificuldade que muitas instituições enfrentam para consolidar informações espalhadas em diferentes sistemas. Eric Strose, do Dr. Consulta, lembrou que cerca de 95% das necessidades assistenciais da população podem ser atendidas em estruturas ambulatoriais: “A clínica passa a ter um papel central dentro da reorganização do cuidado”, afirmou.

O painel sobre gestão que gera valor

O aumento da demanda por estruturas ambulatoriais ocasionado principalmente pelo envelhecimento populacional foi destacado pelo diretor técnico-científico da FESAÚDE, José Antônio Maluf de Carvalho, no painel “Gestão Financeira e Sustentabilidade das Clínicas”. “O paciente vai precisar de acompanhamento por muito mais tempo e isso muda completamente a lógica assistencial”, frisou Maluf, reiterando a necessidade de prevenção, acompanhamento longitudinal e redução de internações evitáveis.

A gestora Hospitalar do Centro Oftalmológico F. Thomaz, Helen Almeida, destacou indicadores considerados essenciais para a saúde financeira das clínicas, como taxa de glosa, prazo médio de recebimento e conciliação financeira. Segundo ela, clínicas que acompanham esses indicadores de forma sistemática conseguem melhorar o relacionamento com as operadoras, reduzir perdas e ampliar a previsibilidade financeira: “Muitas vezes o dinheiro está sendo perdido e a clínica simplesmente não está olhando para isso”, advertiu.

Após apresentar a experiência do Grupo Vitus, o diretor da empresa, André Gall, ressaltou a necessidade de implementação de modelos de pagamento por diária global e gestão baseada em desfecho clínico. “O fee for service estimula volume e não necessariamente resultado”, acredita. Para finalizar o painel, o CEO e diretor-geral da Clínica Santa Isabella, Lúcio Cury, compartilhou a experiência da empresa, que saiu de uma estrutura familiar para um modelo baseado em processos padronizados e acreditação.

O Congresso ainda contou com painéis sobre “NR-1, Relações de Trabalho e Sustentabilidade: Sua Clínica está Preparada?”, outro sobre “Sua Clínica está Preparada para a Inteligência Artificial?” e com a palestra “Qualidade que Gera Valor: o Futuro das Clínicas de Alta Performance”, que encerrou o evento.

Os debates que aconteceram durante o Congresso de Gestão em Clínicas convergiram para um diagnóstico comum: a profissionalização da gestão clínica deixou de ser diferencial e passou a fazer parte da sobrevivência operacional das instituições. Temas como inteligência artificial, análise de dados, eficiência financeira e reorganização dos modelos assistenciais apareceram ao longo de praticamente todos os painéis, mostrando como a rotina das clínicas já vem sendo impactada pelas mudanças no setor.

A próxima edição da revista Saúde 360 trará matéria completa sobre o Congresso de Gestão em Clínicas. Acesse a última edição da revista clicando aqui.

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