O desperdício é um dos maiores desafios do setor da saúde e compromete recursos que poderiam ser direcionados à ampliação do acesso, à melhoria da qualidade assistencial e à incorporação de inovações. Exames desnecessários, retrabalho, falhas de comunicação, internações evitáveis, fraudes, corrupção, desperdício de medicamentos e ineficiências operacionais e administrativas geram custos expressivos sem agregar valor ao cuidado do paciente.
É por isso que a FESAÚDE e o SindHosp estão tratando o tema como um dos inegociáveis da saúde. “No ano passado, o Brasil transacionou cerca de R$ 1 trilhão em saúde, incluindo recursos públicos, o setor de saúde suplementar e o gasto direto das famílias. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 25% dos recursos em saúde são desperdiçados. Estamos falando de algo em torno de R$ 250 bilhões por ano”, provocou a founder da Eloss Consultoria, Luciane Infante, durante mais uma entrevista realizada na Arena da Saúde, durante a Hospitalar 2026.
O desperdício é um dos cinco inegociáveis da saúde, agenda estratégica que está sendo desenvolvida pela FESAÚDE e pelo SindHosp com a ajuda da Eloss. O documento servirá de base para proposições que as entidades pretendem apresentar aos candidatos à Presidência da República e ao Governo do Estado de São Paulo nas próximas eleições. Os Inegociáveis da Saúde defendem uma transformação estrutural da saúde brasileira, com foco na ampliação do acesso, no aumento da resolutividade, na melhoria da qualidade assistencial, na redução de desperdícios e na promoção de maior equilíbrio e sustentabilidade para o sistema.
Na Hospitalar, a FESAÚDE e o SindHosp lançaram o Manifesto dos 5 Is, antecipando parte desse debate. Conheça quais são os inegociáveis e leia o Manifesto clicando aqui.
O debate
O bate-papo foi mediado por Luciane Infanti e contou com as participações da diretora-executiva do Instituto Coalizão Saúde (ICOS), Denise Eloi, e do superintendente-executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), José Cechin. “O desperdício trata de coisas que não são visíveis. Há alguns anos, o IESS realizou um estudo que mostrou que fraudes e desperdícios consomem cerca de 12% das receitas das operadoras”, afirmou Cechin.

Para Denise Eloi, motivos estruturantes e a fragmentação do sistema dificultam o combate ao desperdício. “O assunto precisa sensibilizar a governança das instituições. Trata-se de uma mudança de cultura e isso exige esforço coletivo”, ponderou.
O episódio do videocast Arena da Saúde sobre desperdício ainda falou sobre confiança entre prestadores e operadoras de planos de saúde e caminhos que podem contribuir para amenizar o problema.
Assista ao episódio na íntegra:




