Equipe do InCor recebe Prêmio Péter Murányi

Iniciativa premiou coração artificial que dará maior sobrevida às crianças na fila do transplante.

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O Prêmio Péter Murányi 2015 – Desenvolvimento Científico & Tecnológico foi entregue à equipe do InCor responsável pelo projeto vencedor – um dispositivo de assistência ventricular pediátrico (DAV) – recebeu R$ 200 mil e o reconhecimento de um auditório lotado de cientistas, pesquisadores, e figuras proeminentes no cenário científico e tecnológico do país. A cerimônia ocorreu no dia 28 de abril, no Espaço Apas, em São Paulo
 
O "coração artificial pediátrico" auxilia crianças que aguardam por um transplante de coração – espera que, para muitas delas, costuma ser fatal. Constituído de uma bomba e um console de acionamento, instalado fora do corpo, funciona como um coração natural, ajudando no bombeamento do sangue.
 
De acordo com Idágene Aparecida Cestari, que lidera a equipe de sete profissionais responsáveis pelo DAV, a ideia nasceu durante uma viagem à Alemanha. "Eu estava lá estudando um dispositivo semelhante para adultos, feito aqui no Brasil, e pensei: por que não desenvolver um dispositivo infantil?"
 
Segundo ela, o DAV pode ser usado para assistência circulatória mecânica de média e longa duração por crianças e bebês, e seu desenvolvimento confirma a posição do InCor como instituição de vanguarda em termos de iniciativas que geram benefícios para a sociedade. "O InCor foi a primeira instituição da América Latina a realizar um transplante de coração. E agora somos a primeira a desenvolver um dispositivo pediátrico para assistência ventricular", resume.
 
A equipe liderada por Idágene conta com profissionais das áreas de engenharia, como Helena Oyama, Simão Bacht, Marcelo Mazzetto e Sérgio Hayashida (in memorian), e da área de medicina e bioquímica, como a própria Idágene, Ismar Newton Cestari e Marcelo Biscegli Jatene. Segundo ela, a multidisciplinaridade foi fundamental para o sucesso do projeto.
 
"O ideal é que tenhamos o equipamento aprovado como uma ferramenta de suporte aos pacientes enquanto aguardam os transplantes. Por enquanto, é um dispositivo para ser usado no hospital. Mas a ideia é torná-lo robusto e portátil, para que possa ser usado em domicílio, e as crianças possam esperar pelo transplante junto à família", explicou Idágene.
 
O diretor geral do InCor, Fábio Biscegli Jatene, ressaltou a importância do projeto mediante a carência de equipamentos do gênero no país (a maioria importada e caríssima). "Para que o DAV seja disponibilizado na rede pública, será preciso demonstrar o benefício do equipamento e montar um programa como parte das políticas públicas na área da saúde", afirmou. "Foi uma honra para a nossa divisão de bioengenharia ganhar o Prêmio Péter Murányi", acrescentou.
 
Menção honrosa 
Além da equipe do InCor, estiveram presentes os pesquisadores responsáveis pelos dois outros projetos finalistas, que receberam menções honrosas: o colombiano Ferney Quiñones Sinisterra, da UnB, que criou um pavimento asfáltico usando resíduos de pneus e demolição, e o professor Isaías Raw, do Instituto Butantan de São Paulo, responsável por uma nova vacina contra a coqueluche, de baixa reatogenicidade.
 
Nesta edição, concorreram ao prêmio 106 trabalhos de 77 instituições de pesquisa, do Brasil e de outros países da América Latina. "Os trabalhos são indicados pelas instituições. Nosso esforço é premiar os mais relevantes, não apenas para a comunidade científica, mas, sobretudo, para a sociedade", resumiu a presidente da Fundação, Zilda Vera Murányi Kiss.
 
Próxima edição 
No fim da cerimônia, foi anunciado o tema para a próxima edição do Prêmio Péter Murányi: alimentação. O anúncio foi feito pela professora Bernadette de Melo Franco, diretora do Centro de Pesquisa de Alimentos (FoRC) e pró-reitora de Pós-Graduação da USP.
 
Ela ressaltou a importância do tema, complexo e interdisciplinar por essência. "O Brasil será responsável por 40% dos alimentos produzidos no mundo até 2050, mas a área agricultável não vai crescer mais de 5%. Por outro lado, sabemos que mais de 50% da população brasileira está acima do peso. São problemas com os quais teremos de lidar", exemplificou.
 

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