A partir de 1º de outubro, Inaldo Leitão assume a diretoria Executiva da FESAÚDE e do SindHosp. Formado em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), é especialista em Políticas Públicas e Governo pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Ingressou nas entidades há pouco mais de três anos, como gerente de Relações Governamentais. Também atua como general manager da ARCA, o think tank da saúde.
“Inaldo tem conduzido projetos, aproximando diferentes atores e participado de discussões relevantes para o desenvolvimento da saúde no país. Sua chegada à posição de CEO representa uma continuidade importante. Inaldo conhece profundamente nossas pautas, nossos associados e os desafios enfrentados diariamente pelas instituições de saúde. Tenho muita confiança no trabalho que ele passa a conduzir”, ressalta o presidente da FESAÚDE e do SindHosp, Francisco Balestrin.
Inaldo Leitão é natural de João Pessoa, na Paraíba, mas mudou-se para Brasília aos seis anos de idade e viveu na capital federal até os 29. Foi lá que construiu sua trajetória no Legislativo, onde chegou a atuar como chefe de gabinete na Câmara dos Deputados. Desde 2023 vive em São Paulo com a esposa, Gabriela, e o filho, Francisco. A família também aguarda a chegada de Maria Carolina, prevista para nascer até o final deste ano.
Aos 33 anos, Inaldo Leitão chega à liderança executiva da FESAÚDE e do SindHosp com disposição de estar cada vez mais próximo dos estabelecimentos representados. Na entrevista a seguir, ele fala sobre os desafios do setor, suas prioridades de gestão e o papel das entidades na construção de uma agenda para a saúde do país.
Você acaba de assumir a diretoria executiva do SindHosp e da FESAÚDE. Qual o significado desse novo desafio na sua trajetória profissional?
Inaldo Leitão – Assumo com uma responsabilidade imensa, porque sei que a partir de agora, em cada instituição, evento ou espaço de interlocução, vou representar todos os estabelecimentos de saúde privados paulistas, contribuintes e associados, empresas grandes e pequenas, que estão sob a representação do SindHosp e da FESAÚDE. Meu compromisso, junto com uma equipe experiente e criativa de colaboradores, é estar próximo do setor, enxergar as demandas e trabalhar os temas mais sensíveis ao nosso segmento. Paralelamente, como venho da área de Relações Governamentais, conheço os projetos de lei que afetam a saúde e que estão em tramitação no Congresso Nacional. Alguns podem ajudar e outros podem prejudicar muito a nossa categoria. Esse acompanhamento político continuará sendo realizado, pois é nesse ambiente que as principais decisões que afetam a saúde e os negócios são tomadas.
Sua vivência em Relações Governamentais e sua experiência no Congresso Nacional devem ter contribuído para uma visão mais ampla sobre a importância do diálogo e da construção de consensos. Que aprendizados desse percurso pretende levar para a gestão do SindHosp e da FESAÚDE?
Inaldo Leitão – Certamente, essa experiência me ensinou que resultados consistentes são construídos a partir do diálogo, da capacidade de ouvir diferentes opiniões e da busca por convergências. Sou uma pessoa que precisa tocar nas coisas para entendê-las. Por isso, minha atuação certamente estará sempre aberta ao diálogo, próxima dos associados e focada na construção de relações institucionais sólidas com profissionais e outras entidades que fazem parte do ecossistema da saúde. Internamente, a mesma lógica precisa prevalecer. Quando falamos para o nosso time, assumimos compromissos e geramos expectativas. Por isso, podem esperar de mim coerência entre discurso, decisões e ações.
O setor de saúde vive um momento de profundas transformações. Quais considera hoje os principais desafios para os hospitais, clínicas, laboratórios e demais estabelecimentos de saúde?
Inaldo Leitão – Os desafios são muitos e estão presentes tanto na gestão dos negócios quanto no ambiente regulatório e institucional. Há questões relacionadas aos custos, à sustentabilidade econômico-financeira, às relações com operadoras e fornecedores, à escassez e qualificação de profissionais e à incorporação de novas tecnologias. São temas complexos, que muitas vezes envolvem particularidades de cada empresa e que precisam ser tratados de forma cuidadosa. Recentemente, por exemplo, o SindHosp e a FESAÚDE fizeram uma série de contribuições à Consulta Pública 170/2026, da ANS, sobre contratos entre operadoras e prestadores. A regulação da Inteligência Artificial (IA), em discussão no Congresso Nacional, é outro tema que terá impacto crescente sobre o setor. Se antecipando ao Congresso, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução 2454/2026, que normatiza o uso da IA na prática médica. A Confederação Nacional de Saúde, da qual a FESAÚDE faz parte, ingressou com ação pedindo a suspensão dos efeitos da Resolução por entender que ela impõe obrigações às instituições de saúde – o que extrapola a competência do CFM. São movimentos e ações representativas que estamos atentos e participando ativamente. Também há inúmeros Projetos de Lei (PL) em tramitação que estabelecem pisos salariais para várias atividades profissionais – e muitos com impacto direto sobre os prestadores de serviços de saúde. Acompanhar essas pautas e posicionamentos é uma atividade representativa essencial – e que nenhuma empresa consegue fazer sozinha.
O Judiciário já definiu que o negociado deve prevalecer sobre o legislado. As negociações coletivas, portanto, ganharam uma importância enorme. Na sua avaliação, os estabelecimentos de saúde têm consciência da importância dessas negociações e estão participando ativamente delas?
Inaldo Leitão – A negociação coletiva é um instrumento fundamental para construir relações de trabalho mais adequadas à realidade de cada setor. O SindHosp tem 88 anos, atua no maior Estado da Federação e negocia anualmente com mais de 40 sindicatos laborais. Temos expertise e contamos com uma equipe especializada que trabalha para construir Convenções Coletivas de Trabalho que reflitam as necessidades e as características da nossa categoria. Particularmente, acredito no fortalecimento da negociação coletiva e no aumento da participação das empresas nas assembleias. Esse envolvimento é fundamental para que as decisões negociadas tenham cada vez mais conexão com a realidade do setor e contribuam para relações de trabalho mais equilibradas e sustentáveis.
2027 marcará o início de um novo ciclo político no país, além da implementação efetiva de etapas importantes da reforma tributária. Como você avalia esse novo cenário e quais serão as prioridades de atuação do SindHosp e da FESAÚDE?
Inaldo Leitão – A FESAÚDE e o SindHosp foram muito atuantes durante o debate da reforma tributária e conseguiram, junto com outras entidades do setor, que a saúde recebesse tratamento diferenciado. Agora, o desafio será acompanhar a implementação da reforma e seus efeitos sobre os estabelecimentos de saúde. Na esfera política, será importante conhecer, no Congresso Nacional, os novos deputados e senadores e manter interlocução com eles. Acho que o principal objetivo de uma entidade representativa é poder permear e qualificar o debate público. Entre os temas que poderão ganhar espaço no Congresso, em 2027, está a reforma administrativa. É uma agenda que precisa ser acompanhada de perto, especialmente pelos seus possíveis impactos sobre a gestão pública e sobre o ambiente econômico. Vamos trabalhar para que o peso do Estado diminua. A saúde representa, anualmente, 10% do PIB, e tem enorme relevância econômica e social. É importante que as decisões públicas considerem a sustentabilidade do setor e a necessidade de um ambiente de negócios mais eficiente e previsível.
A FESAÚDE e o SindHosp vêm contribuindo, desde 2022, para a construção de uma agenda para a saúde. Nessas eleições estão apresentando aos candidatos à Presidência da República e ao Governo do Estado de São Paulo os 5 Inegociáveis da Saúde. Como essas iniciativas contribuem para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes?
Inaldo Leitão – São os estabelecimentos de saúde que vivenciam diariamente as potencialidades e as deficiências do sistema. Por isso, têm muito a contribuir. Atualmente, a FESAÚDE e o SindHosp têm grande poder de articulação com a classe política, outras entidades representativas e com instituições públicas. As contribuições que levamos em períodos eleitorais refletem a visão de lideranças, profissionais, de universidades, representantes dos pacientes, enfim, de quem vive o dia a dia da saúde. Os 5is são resultado dessa visão ampla. Há uma característica que considero especialmente importante nesses materiais: eles são uma contribuição para a sociedade. É uma entrega cidadã.
Olhando para os próximos anos, quais as principais marcas que gostaria de deixar à frente do SindHosp e da FESAÚDE?
Inaldo Leitão – Do ponto de vista de gestão, quero contribuir para a sustentabilidade financeira e o fortalecimento institucional das entidades. A FESAÚDE e o SindHosp têm que ser saudáveis, mas isso também precisa vir acompanhado de valor para os nossos associados. E, claro, entregar algo para a sociedade que vá além da defesa de interesses, que se traduza em aumento de acesso, qualificação do cuidado, melhores resultados clínicos e um sistema mais eficiente e sustentável.



