Coronavírus em SP: FEHOESP estuda cartilha única para hospitais

Federação fará reuniões com prestadores de saúde

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O Estado de São Paulo teve sua primeira confirmação de coronavírus e a FEHOESP já conversa com prestadores de saúde para criação de uma cartilha de orientações únicas para hospitais, clínicas e laboratórios.

Em entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo, Luiz Fernando Ferrari Neto, diretor da Federação, explicou que é preciso fazer uma boa barreira com quem está com suspeita da doença, diagnóstico rápido e a higiene do hospital. Segundo o diretor, os hospitais sempre estiveram preparados, pois sempre lidam com epidemias.

Leia a matéria completa:

 

"Hospitais de São Paulo já se mobilizam para padronizar cartilhas sobre o novo coronavírus e recebem alertas sobre como isolar casos suspeitos. Diretor da Federaçao dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp), Luiz Fernando Ferrari diz que, desde dezembro, o avanço da doença e as ações para receber os casos suspeitos estão sendo debatidos com os associados.

De acordo com Ferrari, que também é vice-presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp), as entidades, que representam 55 mil serviços de saúde da rede privada do Estado, planejam padronizar cartilhas sobre o tema.

"Na semana passada, a gente se reuniu com os sindicatos dos empregados e o patronal para fazer cartilhas conjuntas de comunicação para os funcionários e gestores de hospitais. Estamos acompanhando os alertas dados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde."

Segundo Ferrari, foi dado um alerta para que os hospitais isolem os casos suspeitos e que os profissionais de saúde utilizem os equipamentos de proteção individual ao lidar com esses pacientes. "Deve ser feito o isolamento respiratório do paciente, com uso de máscara, e os funcionários devem usar os métodos de precaução universais: luvas, óculos, o avental não-estéril e a máscara cirúrgica, a máscara comum. As pessoas que mexerem com ele precisam estar com um aparato. Não é a N95, que é para procedimentos invasivos, como intubação e aspiração."

O diretor da federação explica que, neste momento em que não há transmissão local do vírus, não existe a recomendação de que esses métodos sejam adotados por todos os funcionários. "Se todo mundo começar a usar máscara, não vai ter produção suficiente. É preciso fazer uma boa barreira com quem está com suspeita, diagnóstico rápido e a higiene do hospital. Os hospitais sempre estiveram preparados, porque a gente vive lidando com epidemias."

O Hospital Israelita Albert Einstein, que recebeu o primeiro caso da doença no País, informou que acompanha a situação do novo coronavírus desde o início da epidemia. "O hospital, que conta com os mais avançados recursos diagnósticos e assistenciais para os atendimentos que se fizerem necessários, inclusive os mais graves, vem atuando no treinamento intensivo de seus colaboradores com o objetivo de assegurar a oferta de atendimento adequado, bem como a segurança de pacientes, familiares e funcionários", informou, em nota.

No Hospital Sírio-Libanês, pacientes recebem a orientação em três idiomas sobre como agir caso desconfiem que estão com a doença. "Desde que começaram a sair os alertas do Ministério da Saúde, em janeiro, foi criado um comitê de crise e foi colocada a sinalização em português, inglês e mandarim para que ele se identifique, retire uma máscara cirúgica e use o álcool em gel", explica Mirian Dal Ben, infectologista do hospital.

Caso sejam identificados os sintomas da doença e se a pessoa tiver visitado um dos países com transmissão do vírus, o paciente é transferido para um quarto especial para evitar que ele circule pelas instalações do hospital. Os profissionais também foram orientados a adotar medidas de segurança, além do uso do equipamento de proteção.

"Há uma ordem de retirada. Eles respeitam uma sequência para evitar a contaminação. Primeiro, tiram as luvas e higienizam as mãos. Depois, o avental descartável e higienizam as mãos de novo. Por fim, tiram os óculos de proteção e a máscara." 

China cria medidas para cuidar de equipes médicas

Epicentro da epidemia, a China elaborou um documento com medidas para cuidar das equipes médicas que estão atuando nos casos do Covid-19, como aumento salarial, oferta de refeições nutritivas e transporte, garantia de tempo de descanso e atendimento psicológico. 

Segundo a agência oficial do governo chinês, que divulgou as informações na última segunda-feira, 24, as autoridades chinesas classificaram que a luta contra a doença está em uma "fase crítica" e que todos os departamentos devem focar na proteção e no cuidado dos profissionais, tendo em vista o alto risco de infecção e a pressão no trabalho. Para os médicos que forem infectados, haverá compensação com seguro de acidente de trabalho e, em
caso de morte, os profissionais serão homenageados como mártires."

*Por Paula Félix, O Estado de S. Paulo – matéria originalmente publicada no jornal impresso e online em 27 de fevereiro de 2020.
 

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