Hospital Bandeirantes redesenha processos para reciclar resíduos

Tudo é uma questão de processos", afirma o diretor executivo do Grupo Saúde Bandeirantes, Rodrigo Lopes, sobre o Programa Recicla-se, implantado no ...

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A readequação e o mapeamento dos processos da produção de resíduos pelo paciente também sofreu impacto positivo: 4,57 quilos por paciente/dia para 3,18 quilos por paciente/dia

Tudo é uma questão de processos”, afirma o diretor executivo do Grupo Saúde Bandeirantes, Rodrigo Lopes, sobre o Programa Recicla-se, implantado no Hospital Bandeirantes. A frase demonstra parte crucial do projeto, que consistiu em uma revisão e mapeamento dos processos rumo à melhoria do descarte de resíduos e de reciclagem.

Integrante da rede que também é composta pela unidade privada Le Forte, o laboratório GSB e as Organizações Sociais de Saúde (OSS) Lacan e Glória, o Hospital Bandeirantes foi o primeiro da rede a implantar o programa. O projeto foi desenvolvido a partir do Instituto de Saúde Bandeirantes de Responsabilidade Socioambiental, que funcionou como elo entre as áreas, assumindo o papel de mediador das discussões do grupo multidisciplinar no processo de desenvolvimento das ações propostas.

“O grande problema da instituição hospitalar é quantidade de resíduos. Retirar isso de forma inteligente tem impacto financeiro e educativo”, afirma Lopes.

O hospital já reciclava 100% do papel na área administrativa. E, de acordo com Lopes, a cultura da reciclagem já existia na entidade. Mas ainda havia muito a fazer para reduzir o impacto ambiental. Assim, o setor de qualidade, liderado pela gerente de desenvolvimento, Áurea Barros, começou a fazer a revisão e o mapeamento dos setores geradores, o que envolveu entrevista com os colaboradores de várias áreas, incluindo as unidades de internação, a fim de entender quais eram os tipos de resíduos produzidos em cada local.

No mapeamento também foram considerados a segurança ocupacional e do paciente. “Em qualquer lugar que não exista risco, fazemos a coleta inteligente”, afirma Lopes.

Para engajar cerca de 2,5 mil colaboradores, algumas áreas foram chaves como: gerência médica, gerência de enfermagem,
recursos humanos, educação continuada, segurança do trabalho e controle de infecção hospitalar. Elas formaram um comitê para discutir as ideias e os riscos.

Com o comitê e a difusão das boas práticas pelos próprios colaboradores, não foi difícil a instituição, como um todo, adotar a prática. “Quando se tem um processo desenhado, se sensibiliza e permeia toda a instituição. Hoje, o programa Recicle-se é abordado até na integração dos novos colaboradores”, conta Áurea, acrescentando que o projeto ajudou no clima organizacional e na conscientização dos colaboradores.

A iniciativa teve um investimento de R$20 mil, aplicados na troca e compra de coletores e na identidade visual da campanha. A partir dos depoimentos e levantamentos de dados, observou-se uma falta de conhecimento geral da reciclagem. “Faltava um coletor padronizado no hospital”, diz Áurea.

Ainda não é possível medir o retorno sobre o investimento. Mas o que Lopes e Aurea destacam são alguns pontos positivos da prática. A curva de reciclagem aumentou 40,8% no primeiro ano, o lixo infeccioso diminuiu, pois agora é separado de maneira eficaz. Antes, na dúvida, o colaborador tendia a descartar determinado material como infeccioso. A readequação e o mapeamento dos processos da produção de resíduos pelo paciente também teve impacto positivo: 4,57 quilos por paciente por dia para 3,18 quilos por paciente por dia.

Outras iniciativas
Para um projeto como este dar certo, é importante o apoio e a atuação também do corpo diretivo. A sustentabilidade do programa está baseada na abordagem do tema como valor institucional, presente no planejamento estratégico da instituição.

“Ter a sustentabilidade como pilar estratégico garante a possibilidade de mudar alguns processos organizacionais que, do contrário, seriam apenas ações pontuais. Em nosso caso, a expressão “cultura da sustentabilidade” está presente na mapa estratégico, fazendo toda a diferença”, comenta Lopes

Dentre as diretrizes sustentáveis do hospital, ainda há um programa de reaproveitamento da água. O chamado sistema de água cinza armazena o recurso oriundo de chuveiros e lavatórios e é utilizado para irrigação de plantas, descarga e outros fins. Mensalmente, são 450 mil litros que o hospital deixa de consumir.

Áurea explica que existe um código de conduta para as compras e as pessoas recebem um treinamento para evitar a aquisição de produtos de fornecedores que não respeitam o código de ética do hospital. Para evitar a prática, a instituição implantou até um canal de denúncia via e-mail.

Na comunidade, o Grupo de Saúde Bandeirantes fez um levantamento das principais causas socioambientais do Distrito da Liberdade, que envolver os bairros Liberdade, Aclimação e a região da várzea do Glicério, justamente onde estão localizados os hospitais da Glória e Bandeirantes.

A região do Glicério foi a escolhida, pois tradicionalmente tem a presença de trabalhadores da coleta, separação e comercialização de materiais. Uma das iniciativas implantadas para favorecer o desenvolvimento ambiental e humano dessa região foi o Projeto Óleo Aqui, garantindo geração de trabalho, renda e inclusão social dos catadores da Cooperativa de Catadores da Baixada do Glicério (Cooperglicério).

A iniciativa teve investimento de R$ 35 mil e o recurso foi empregado na produção de coletores para o resíduo, na aquisição de um veículo e materiais de proteção, como luvas, e no pagamento da instalação de energia elétrica embaixo do viaduto do Glicério, local onde os cooperados trabalham. Na empreitada, os principais parceiros do Bandeirantes foram a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares ITCP da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e o Instituto HSBC de Solidariedade.

Além do investimento financeiro, os cooperados receberam apoio técnico para o desenvolvimento do empreendimento solidário até alcançarem autossustentabilidade. Hoje, a Cooperglicério faz toda a gestão do empreendimento e dos pontos de coleta, desde o primeiro contato com um restaurante ou condomínio para a implantação da coleta até a comercialização do resíduo. Todo o dinheiro gerado a com a venda dos materiais fica para os cooperados. Em média, são vendidos mil litros de óleo por mês.

Fonte: Saúde Web

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